Tuesday, February 18, 2014

"OU NÃO"? "SIM" - E EU DIGO SIIIIIM!

Muita gente já deve saber - ou está sabendo agora - que sou um dos colaboradores do livro 1973 - O Ano Que Reinventou A MPB, lançado agora em janeiro pela Editora Sonora e que reúne resenhas de mais de 50 álbuns importantes lançados naquele ano. Escrevi sobre Ou Não de Walter Franco, "o disco da mosca", e mencionei uma canção de Walter inédita em discos e que conheci de uma gravação de um programa do grande Jacques Kaleidoscópio, de 1977.

Por volta de 1986 tive a grande sorte de "herdar" uma coleção de fitas cassete de uma pessoa que gravava todos esses programas - Kaleidoscópio, Papo Pop, Performance Pop - , adquirindo-as no Sebo do Messias, aqui em Sampa, pelo equivalente de hoje a um real cada... Depois eu soube por um amigo que essa pessoa havia falecido num acidente de carro e pelo menos estas fitas de seu acervo foram vendidas naquele sebo. O rapaz era realmente diligente e caprichoso, e aqui vai a capinha da fita de onde tirei "Sim" de Walter Franco:

As anotações a caneta foram feitas por mim. Não, não tenho (ao menos por enquanto...) a Fita 146... Mas já digitalizei boa parte das fitas que tenho, e "Sim" pode ser ouvida aqui.

Sunday, January 19, 2014

ATÉ TU, BARÃO

Um de meus heróis é o humorista Barão de Itararé, "al secolo" o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895/1971), que no começo da carreira usou também a alcunha de Apporelly. Meu primeiro contato com sua obra foi na bela matéria "O Único Barão Da República", publicada na revista Realidade na virada dos anos 1960 para 1970; foi lá que conheci frases lapidares como "Os calos são produzidos por sapatos de qualquer cor" e "O que se leva desta vida é a vida que a gente leva", além de seu famosa prova oral onde o mestre perguntou "quantos rins nós temos?" e ele respondeu "quatro, o professor dois e eu dois". Mais tarde conheci outras suas frases, como "As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra" e "O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato", além de seu lado libertário e combativo contra a censura e prepotência dos anos 1920 a 1970. Por exemplo, sobre a disputa pela Presidência entre Jânio Quadros e o Marechal Lott, ele mandou "É preciso enquadrar o Lott e lotear o Jânio". 

O Barão é o tipo de humorista conhecido até por quem nunca ouviu falar, e seu humor influencia até hoje; basta lembrar que sua frase "Mulher, cachaça e bolacha em qualquer canto se acha" foi adaptada por Adoniran Barbosa e Oswaldo Molles no samba "Mulher, Patrão e Cachaça", derradeira parceria de ambos.

  
Apporelly já tem pelo menos três biografias, as duas curtinhas Barão de Itararé - O Humorista Da Democracia de Leandro Konder (editora Brasiliense, 2003) e Barão de Itararé - Herói De Três Séculos por Mouzar Benedito (editora Expressão Popular, 2007) e o calhamaço Entre Sem Bater por Claudio Figueiredo (Editora Casa da Palavra, 2012). Até onde sei, nenhum desses belos livros sobre o Barão de Itararé menciona um disco 78 RPM com um de seus textos, "Martírio Violento", lançado em 1929 pelo cantor e humorista carioca Mirandella (Boabdil Miranda Varejão, 1887/1947) e que consegui resgatar com selo e tudo (embora eu prometa uma digitalização melhor para quando eu puder).






Saturday, January 18, 2014

SECOS, MOLHADOS E BEM CONSERVADOS

Em maio de 2013 produzi para o programa Rádio Matraca um mini-especial em homenagem aos 40 anos da gravação (em maio e junho) e lançamento (em agosto) do álbum de estreia da banda Secos & Molhados, primeiro megafenômeno pós-jovem guarda do rock brasileiro. Os dois discos da banda gravados com sua formação clássica, João Ricardo, Ney Matogrosso e Gerson Conrad, não só venderam bem, mas se tornaram clássicos do rock nacional. Basta lembrarmos regravações de sucesso feitas bem depois do estouro da banda, como “Flores Astrais” com o RPM e “Fala” com Ritchie. E neste mini-especial lembramos algumas das muitas regravações de canções dos Secos & Molhados, incluindo uma ou outra bastante inusitada, “bem Rádio Matraca”, e algumas gravações instrumentais que desmentem a noção de que a música dos Secos & Molhados não se sustenta sem as letras e poemas que eles musicavam.

Sim, neste programa incluímos regravações as mais diversas, da época ou mais recentes, de ambos os álbuns da banda, inclusive desmentindo pessoas menos atentas, opiniões à parte, que foram logo dizendo que o segundo álbum "não tinha nada legal". Certamente, não foi tão impactante ou marcante quanto o primeiro, mas bons momentos não lhe faltam, como prova esta nossa seleção de regravações - por sinal, agora em 2014 é a vez do segundão comemorar 40 anos.





Embora, salvo engano, a primeira canção do segundo álbum do Secos a virar vídeo-clipe tenha sido "Tercer Mundo" (ao qual me lembro de ter assistido no Fantástico), foi "Flores Astrais" a escolhida para repetir o sucesso de "Sangue Latino" ou "O Vira". Lançada em compacto promocional para as rádios (com "Voo" do outro lado), a canção não se tornou megahit, mas agradou a ponto de ganhar arranjo em samba, como podemos ver em cima  e ouvir abaixo.



Nesta seleção de covers incluímos outras gravações em roupagens bem diferentes das originais, como o muzak latino de Los Tropicanos, o forró da Banda Catarino, o reggae da Cidade Negra e a canção camerística do violonista Sérgio Zurawaki e seu Zurawski Ensemble. Temos ainda curiosidades como Os Motokas, grupo de estúdio com Lilian Knapp e o futuro Roupa Nova.

Los Tropicanos – “Sangue Latino” (João Ricardo/João Apolinário), gravação de 1973

Banda Catarino - “O Vira” (João Ricardo/Luhli), gravação de 1973
Patricia Ahmaral – “Mulher Barriguda” (João Ricardo/Solano Trindade), ao vivo em 2007
Agora É Samba – “Flores Astrais” (João Ricardo/João Apolinário), gravação de 1974
Os Motokas - “Amor” (João Ricardo/João Apolinário), gravação de 1973
Móbile – Delírio (Gerson Conrad/Paulinho Mendonça), gravação de 1974
Luhli e Lucina – “Fala” (Luhli/João Ricardo), gravação de 1991
Cidade Negra – “Primavera Nos Dentes” (João Ricardo/João Apolinário), gravação de 2007
Banda Alunte – “Assim Assado”  (João Ricardo), ao vivo
Akundun – “Rosa de Hiroshima” (Gerson Conrad/Vinicius de Moraes), gravação de 2000
Banda El-Rey – “O Patrão Nosso De Cada Dia”  (João Ricardo), ao vivo em 2011
Zurawski Ensemble – “Medo Mulato” (João Ricardo/Paulinho Mendonça), gravação de 2011
Nem Secos Nem Molhados – “Toada & Rock & Mambo & Tango & Etc.” (João Ricardo/Luhli), ao vivo em 2009
Tianastácia – “Prece Cósmica” (João Ricardo/Cassiano Ricardo), gravação de 2011
Os Caretas – “Que Fim Levaram Todas As Flores” (João Ricardo), gravação de 1978

Pode-se ouvir aqui o programa e baixar aqui as gravações. E, além deste blog, outra boa sugestão para leitura de fundo é o livro 1973 - O Ano Que Reinventou A MPB, que está sendo lançado pela editora Sonoras e inclui dezenas de autores, cada um escrevendo sobre um álbum importante lançado nesse ano - é claro que o primeiro do Secos não poderia faltar (e participei escrevendo sobre outro álbum, procurem o livro para saberem qual, rerrerre).

Saturday, January 04, 2014

UM 13 QUE DEU SORTE - PARTE 3 - LIVROS

Nesta minha retrospectiva de 2013 lembrarei que deu tempo para pessoas fãs de Adoniran Barbosa se fantasiarem de Papai (ou, conforme o caso, Mamãe) Noel e presentearem gente amigas ou a si próprias com a segunda edição, totalmente revisada e atualizada, de meu livro Adoniran: Dá Licença De Contar (Editora 34), lançado originalmente em 2002. O livro já deve estar em todas as livrarias, ou pode ser conseguido na própria editora em vendas@editora34.com.br .


E um belo projeto de que participei e quase saiu em 2013 mas ficou para janeiro é 1973: O Ano Que Reinventou A MPB (editora Sonora), resenhando dezenas de discos que fizeram desse ano um dos mais importantes, não só de MPB mas também de rock brasileiro, cada um analisado por uma pessoa; adquira o livro para descobrir sobre qual disco escrevi e leia também sobre álbuns analisados por Marcelo Fróes, Tavito, Rildo Hora, Silvio Essinger, Regina Zappa e outras personalidades da música e/ou imprensa.
E em 2013 fiz contatos e recontatos com editoras novas e antigas para lançamentos e relançamentos de livros meus em 2014 ou 2015, aguardem!

UM 13 QUE DEU SORTE - PARTE 2 - COMPOSIÇÕES E NOVAS PARCERIAS

Nesta minha retrospectiva pessoal de 2013 lembrarei que continuo seguindo o exemplo de Chrissie Hynde, a quem perguntaram de repente "o quê você compôs hoje?", ela "nada, ora essa, por quê?" e a tréplica foi "no teu passaporte diz 'profissão: compositora'..." Pois bem, sendo eu compositor literalmente de carteirinha (filiado à AMAR), tenho justificado o posto e a vocação compondo dezenas de canções por ano. (Sim, Franz Schubert também é um bom exemplo.) Muitas eu tenho lançado em páginas da internet como as minhas no Facebook e no Soundcloud.

Um dos destaques foi minha marchinha "Japonesa Corintiana", com a qual concorri no primeiro Festival Canto Por Ti, Corinthians, promovido pelo time no segundo semestre de 2013, e cuja demo pode ser ouvida neste fiel atalhoNão cheguei à final, mas fui premiado em outro certame, promovido pelo grupo Psicodelia Brasileira do Facebook, com uma composição antiga, "Metamophose", homenagem ao grupo alagoano Mopho, lançada em 2000 e que pode ser ouvida aqui

Posso até me gabar de ter tido em 2013 uma composição lançada internacionalmente, no blog de Alt Rock Chick, roqueira estadunidense radicada na França e cujo blog merece ser lido por fãs de música sem preconceitos. A canção é nada menos que minha homenagem em inglês à beterraba, "The Beet Song", cuja melodia e letra, bem como a bela resenha de Alt Rock Chick (sim, ela só se mostra sob este pseudônimo) podem ser conferida no blog dela.

Vale também lembrar "Larga Noche", melodia que compus em 1980 e para a qual tentei nestas décadas compor letras em português e inglês, mas de repente em 2013 tive um clique e compus esta letra em espanhol, belamente interpretada por Daniel e Lu, emérita dupla caiubista cuja interpretação pode ser ouvida aqui. Aviso: trata-se de uma canção séria, lado meu que raramente mostro mas resolvi mostrar com um pouco mais de frequência. É o caso de duas canções com que inaugurei novas parcerias em 2013, melodias que compus para as letras "Maria, Mulher, Menina E Mãe" da mineira Kakal Chaves (aguardem uma canção/tese minha sobre a Rua Qualquer Coisa, que talvez se torne ainda mais ilustre que a Rua Ramalhete) e "Faixa Etária" (lançada  mundialmente aqui!), originalmente um poema do belo livro Poemia de Jean Garfunkel (com quem já tenho outras canções a caminho). Outras pessoas amigas e novas parceiras cujos resultados divulgarei oportunamente incluem Adauto Suannes, Luhli, Marta Lima e Nando Távora.

Ah, sim: nada como começar e terminar uma mensagem citando grandes roqueiras. Além de Chrissie Hynde, temos Lucinha Turnbull, por sinal outra não-inglesa que morou em Londres e em São Paulo... "Pra Lucinha", primeira parceria minha com Luiz Octavio (sim, o lendário líder dos Quatro Olho e Spectors), diz tudo no título, e esta gravação demo é o primeiro resultado dos Spectacles, grupo que formei em 2013 com ele, Luiz Francisco Albano e Trinkão (pois é, fechei o círculo e nos Spectacles voltei a tocar guitarra, como fiz lá nos anos 1980 em grupos como British Beat, Verminose e Galileu).

UM 13 QUE DEU SORTE - PARTE 1 - DISCOS

É isso mesmo, 2013 foi um ano tão produtivo que só consegui parar para fazer uma retrospectiva depois que ele terminou - sem falar em projetos que iniciei nesse ano e pretendo concluir agora em 2014.

Febre, turbulência, vitória e espetáculo? Tem, sim, senhor!

Para começar, participei de quatro CDs (todos independentes) previstos para sair em 2013 - e que saíram, e que merecem ser detalhados um a um.

O mais monumental é Circo Nerino, produzido pelo Centro de Memória do Circo e que resgata lindamente canções e histórias da trupe circense desse nome, a partir do arquivo, memória e boa forma vocal (aos 90 anos de idade!) do músico e palhaço Roger Avanzi; participei na pesquisa de repertório (muitas das autorias e até títulos de canções dos espetáculos do Circo Nerino haviam perdido-se no tempo) e até como vocalista em algumas faixas. Uma das muitas curiosidades (além de gravações dos anos 1950 ao presente, muitas especiais para este disco, tendo direção musical de Otávio Ortega) é Karina Buhr interpretando "Macô", sim, aquela de Chico Science & Nação Zumbi, cujo refrão, "cadê Roger", refere-se a um amigo da turma de Chico que tem esse nome em homenagem a Roger Avanzi. O CD Circo Nerino é distribuído pela Tratore.


Não menos emocionante é Febril, primeiro disco da cantora, compositora, jornalista e emérita batalhadora Lúcia Helena Corrêa, onde ela, também ilustre integrante do Clube Caiubi de Compositores, reuniu caiubistas de todas as funções: não só pessoas compositores, mas também musicistas. Em quase todas as faixas (num total de 19 - aniquilar o limite de 14 preguiçosamente imposto pelas grandes gravadoras é um dos tantos méritos deste disco) o acompanhamento é d'A Banda de Tato Fischer, formada pelo próprio aos teclados, Bráu Mendonça no violão e guitarra, Bruno Sotil na bateria e percussão e este que vos tecla ao contrabaixo. Lúcia reuniu samba, blues, foxtrote, bolero e muito mais. Os compositores incluem Marcio Policastro, Léo Nogueira, Nando Távora, Sonekka, Vlado Lima e Fernando Cavalieri. Adquira o seu exemplar com a própria cantora, em luciahelenacorrea49@gmail.com



O mais roqueiro destes discos foi também o que deu mais susto, por pouco não deixou para sair em 2014: Turbulência!, do guitarrista e compositor Marcos Mamuth, e que inclui participações da guitarrista Marlene Souza Lima, o já mencionado e sempre bem lembrado Tato Fischer e este que vos escreve ao contrabaixo em duas faixas, uma composta em parceria com Mamuth, "O Caminho Do Meio" - "nossa primeira e única parceria por enquanto", parafraseando Caetano e Gil quando lançaram "Vai Levando". Defino o som de Marcos Mamuth como "o America num canal e o Black Sabbath no outro"; quem quiser entender isso deve procurar o disco, adquirível com o próprio Mamuth via Facebook (marcos.mamuth).



E o quarteto se completa com o CD mais indicado para os fãs mais rábidos que eu acaso tiver: Vitória!!!, novo disco do compositor, cantor e produtor Soul Demetrio, com repertório dividido entre eu e ele: 7 composições dele, outras tantas minhas e uma nossa. Além de trazer composições novas como "Criança", "Never", "Mil Violinos Tocam" e "Dance Queen", Demetrio escolheu quase-sucessos meus como "Marcinha Ligou" (parceria com Laert Sarrumor e cantada neste disco em dueto com Kid Vinil) e "Samba Funerário" (composta com o sempre bem lembrado ilustre letrista caiubista Léo Nogueira), além de novidades como o samba-rock "Quero Ser O Teu Affair" e o foxtrote "My Favourite Compère" (arrasadoramente cantado pela cantora convidada  Bee Scott, com quem sempre sonhei gravar desde quando a conheci nos anos 1990). Ah, sim: a banda neste disco fui eu, com a participação de Nuno Mindelis na guitarra-solo em duas faixas. E o CD esta disponível em distribuidoras como a Universal.

E também tive minha "Isto É Samba", conforme gravada pelo emérito saxofonista Jovaldo Guimarães, incluída numa coletânea virtual do Clube Caiubi de Compositores: O Samba Novo Que Vem Do Brasil, Volume 2 .

Sunday, November 17, 2013

ALT ROCK É CHIQUE

Acabo de ter a honra de uma canção minha lançada mundialmente na famosa página da Alt Rock Chick - se ainda não é famosa, merece ser.

Alt Rock Chick (que oculta seu verdadeiro nome para evitar problemas no trabalho) é uma dama recém-entrada na casa dos 30 (nascida nos EUA e atualmente morando na França), que ama música e brilha com resenhas imparciais e bem fundamentadas; mesmo quem discordar de suas opiniões há de convir em que suas declarações fazem sentido... E ela sabe ouvir e respeitar opiniões diferentes (e até opostas) às dela.

Recentemente ela declarou que uma de suas comidas prediletas é beterraba, fazendo uma analogia interessante: do mesmo modo que ela ama beterraba e muita gente não, ela também não gosta de muitos artistas "intocáveis", como Bruce Springsteen, The Band e Elton John após 1972. Eu disse a ela que também adoro beterraba a ponto de ter pensado em escrever uma canção a respeito; ela respondeu dizendo que se eu compusesse a canção ela a resenharia. Pois bem, compus "The Beet Song" e ela escreveu a crítica - aqui vai ela, incluindo a letra e um arquivo de áudio de minha demo. A resenha é uma das mais inteligentes e perceptivas jamais feitas sobre minha obra - sinto-me honrado, como já afirmei e agora repito. E recomendo entusiasticamente que vocês, além de conferirem a análise e opinião de Alt Rock Chick sobre minha "The Beet Song", passeiem por toda sua página, típico exemplo de vício que não faz mal (e até faz bem) - tal qual beterraba...

http://altrockchick.com/2013/11/16/music-review-the-beet-song-by-ayrton-mugnaini-jr/

Tuesday, November 12, 2013

ALTA FIDELIDADE MESMO: O PRIMEIRO FESTIVAL CANTO POR TI, CORINTHIANS

Das quase 2 mil canções inscritas no primeiro festival Canto Por Ti, Corinthians (a se realizar nos dias 21 a 23 de novembro no Teatro Corinthians, na região do Tatuapé), foram escolhidas 26 para as eliminatórias - e este que vos tecla pode se gabar de uma delas ser dele. Sim, minha marchinha "Japonesa Corintiana" participará na primeira eliminatória, no dia 21, e, espero, estará também na final. O público também pode votar, bastando acessar a página do Festival (embora com a restrição de um voto por computador).

Inclusive, fiquei tão empolgado em compor para o Corinthians que, após compor a quantidade máxima de três canções por inscrição, já compus um total de oito canções dedicadas ao time, e espero dobrar essa quantidade para um CD totalmente corintiano. Aqui vai, como amostra, uma demo de uma delas, "Matahah (Canção Judaica Corintiana)", que é exatamente isso, em homenagem aos factos de o Corinthians ter nascido no bairro do Bom Retiro e de quase todas as pessoas judaicas residentes em São Paulo serem corintianas.

Wednesday, April 17, 2013

VOS AMO, ESPAÑOLAS: SARITA MONTIEL E "LA VIOLETERA"


Em 8 de abril faleceu aos 85 anos a atriz e cantora espanhola María Antonia Alejandra Vicenta Elpidia Isidora Aurelia Esther Dolores Abad Fernández, bem mais conhecida como Sarita Montiel. De carreira longa e grande sucesso como símbolo do charme e sensualidade hispânicas, seu carro-chefe (pelo menos no Brasil) é a brejeira canção "La Violetera", composta por José Padilla (1889/1960, autor de outros clássicos da canção como "El Relicario" e "Valencia").

Neste blog já comentei que "La Violetera" tem, ao menos para meus ouvidos, um trecho da melodia ("cómpreme usted este ramito") parecido com outro de "Manolita" ("alza, alza, Manolita"), outro sucesso mundial de inspiração hispânica (embora composto por pessoa não espanhola, o francês Leo Daniderff) sobre o qual fiz uma pesquisa; esta eu apresentei aqui mesmo no blog, e agora chegou a vez de "La Violetera", que já havia se tornado clássico da canção popular mundial antes da interpretação de Sarita Montiel de 1958, inclusive num filme desse nome. Nem no cinema a canção era inédita, bastando lembrar o filme Luzes Da Cidade de Charlie Chaplin, de 1931 (com arranjo de Arthur Johnston).

Até onde sei a primeira gravação de "La Violetera" foi feita pela cantora espanhola Raquel Meller em 1918. Outras gravações que descobri incluem as da cantora Lucrezia Bori (1928), a francesa Emma Liebel (1924) um arranjo que defino como "tango-punk" gravado por Carlos Gardel em 1927, além das interpretações de Dalida, Gigliola Cinquetti, Connie Francis, Dinah Shore ("Who'll Buy My Violets"), Nana Mouskouri, Ângela Maria ("A Violeteira"), a polonesa Lucyna Szczepanska ("Kwieciarka"), Cauby Peixoto, o ator e humorista francês Dranem (a paródia "La Cacahuettera"), as xarás cantoras e atrizes xarás Maria Dolores Pradera e Maria Pillar Sevilha, a atriz e cantora espanhola dos anos 1960/70 Encarnita Polo e versões instrumentais pelas big bands de Tommy Dorsey ("Buy My Violets") e Ray Conniff, as orquestras de Stanley Black e Paul Mauriat, o grupo Borrah Minevitch and His Harmonica Rascals e o moderno grupo franco-argentino The Gotan Project. Tudo isso e mais pode ser conferido neste nosso primeiro "festival de 'La Violetera'", que dá para enfeitar uma bela "Avenida Ramalhete".

Uma curiosidade sobre a gravação de Tommy Dorsey, feita em 1937. Na era das Big Bands raramente os maestros faziam os arranjos eles mesmos, e "Buy My Violets" foi um destes casos. Dorsey idealizou as partes de cada instrumento e mostrou a Dick Jones, mais experiente como arranjador, que comentou "cada parte sozinha soa bonita, o problema é como todas soarão juntas". Pois bem, Dorsey foi em frente e, ao se ouvir o resultado, todo mundo, inclusive ele, quase rolou no chão de rir; Jones fez os ajustes necessários e recebeu metade do crédito como arranjador. Sim, Dorsey provou ser bom de vender violetas, desde que deixasse os arranjos florais a outros.