IT DOES MATTER IF YOU'RE BLACK AND WHITE
Isso mesmo, aqui vai uma pequena homenagem à grande nação alvinegra, quatro gravações raras de canções dedicadas ao Corinthians, talvez o time brasileiro de futebol mais cantado em prosa, verso e melodia.
Começando do começo: a primeiríssima gravação dedicada ao time, "Corinthians", composta por F. Laroza Sobrinho e Ed Dobman e gravada em 1930 por Guarany e Pirajá. Curiosamente, não é canção caipira como se poderia supor pelo nome da dupla, nem "marcha" como diz o selo do disco; para mim é um pasodoble tão bom quanto poderiam ter "desejado" os críticos de Touradas Em Madrid".
Guarany e Pirajá - Corinthians
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Como diz o provérbio, torcedor não pode mudar de time, mas jogador pode. E cantor, pode mudar? Bem, Noite Ilustrada não deixou de ser sãopaulino (conforme me declarou quando o entrevistei em 2002) só porque gravou em 1970 "Corintião", composta por Murilo Campos.
Noite Ilustrada - Corintião
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Muito se falou estes dias sobre Wilson Simonal, menos que ele foi possivelmente o melhor intérprete de Jorge Ben (Jor). Uma prova disso é "Homenagem Rubro-Negra (Joga Corinthians)", lançada em 1977 - isso mesmo, Jorge é devoto do provável segundo time mais cantado do Brasil, o Mengão.
Wilson Simonal - Homenagem Rubro-Negra (Joga Corinthians)
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E outra pérola que aguarda reedição oficial aproveitou a onda dos primeiros transplantes de coração - essa mesma, "Transplante De Corintiano", marcha de Manoel Ferreira, Ruth Amaral e Gentil Junior, gravada por Silvio Santos em 1968.
Silvio Santos - Transplante De Corintiano
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PÁRA! PÉRA! PIRAPORA PURA!
O copiraite deste título é meu, rerere, vou usá-lo em uma composição minha - e ele vem muito a propósito para eu lembrar das primeiras exposições deste ano do Arquivo do Rock Brasileiro, que serão em cidades do interior paulista, a começar por Pirapora do Bom Jesus, de 10 a 12 de julho, seguindo para Mairiporã de 17 a 19 de julho, Jacareí
de 24 a 26 de julho, Santo André em 30 de julho e 1 e 2 de agosto e São Caetano do Sul de 14 a 16 de agosto.
VIXE, COMO TEM ZÉ (RODRIX) NA MÚSICA BRASILEIRA
O título desta pequena homenagem ao grande Zé Rodrix parece-me adequado, lembrando que ele, embora carioca, era filho de um músico baiano. Zé era músico completo, incapaz de receber um rótulo só: roqueiro, MPBzeiro, jingleiro, arranjador, maestro, escritor...
Começaremos pelo começo: um maxixe de sua autoria (ainda assinando "José Rodriguez") como integrante do grupo Momento4uatro, gravação de 1967.
Momento4uatro - Glória
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Não, esta mensagem não inclui "Casa No Campo". Mas inclui outro grande sucesso de Zé, "Hoje Ainda É Dia De Rock", consagrado na interpretação de Sá, Rodrix & Guarabyra - mas lançado um ano antes quase em segredo pelo grupo Os Famks (sim, o futuro Roupa Nova).
Os Famks - Hoje Ainda É Dia De Rock
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A versatilidade de Zé não tinha limites, nem a de Sá e Guarabyra. Além de fazer sucesso com a ironicamente nostálgica "Zepelim", o trio compôs sob o mesmo tema a marcha "Cordão Do Zepelim", lançada por Nara Leão em 1972.
Nara Leão - Cordão Do Zepelim
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Zé se revelou um dos maiores "hitmakers" de sua geração - e até de todas as outras. Quem lembrou de sua composição "Gerações", para uma telenovela dos anos 1970, deve ter se lembrado também de seus muitos temas novelísticos de sucesso - e náo só da Globo, como atesta "João Corisco", que SR&G compuseram e interpretaram para a novela Jerônimo, O Herói Do Sertão da TV Tupi em 1972 (a trilha tem mais gravações e composições de SR&G que se tornaram raras e merecem ser reeditadas condignamente quando nossas grandes gravadoras mduarem, ou seja, melhorarem, mas isso já é outra novela).
Sá, Rodrix & Guarabyra - João Corisco
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Falamos sobre composições que seguem o mesmo tema. Pois bem, agora vou falar um pouco em "bloguês". Ontem estive no altamente recomendável sebo Big Papa (na Galeria Nova Barão, fone 11 3237-0176), comandado por Carlos e Kátia, talvez o casal mais simpático do mundo do disco desde Zé & Júlia da Nuvem Nove. Um dos assuntos de ontem foi o passamento de Zé Rodrix, e Carlos, que residiu em Cuba, contou-me da surpresa ao chegar ao Brasil e ouvir um dos grandes sucessos de Zé, "Quando Será". "Essa música fez sucesso lá em Cuba com Willie Colon!", Carlos comentou. Chegando em casa, dei uma googlada e descobri: Carlos se referia a "El Dia De Mi Suerte", composição de Colon em parceria com Hector Lavoe e lançada por Colon em 1973. Náo foi propriamente um plágio; Zé e Colon desenvolveram a mesma idéia em clima de "latinidad", mas com melodias diferentes. Confira:
Willie Colon - El Dia De Mi Suerte
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E ninguém pense que Zé ficou preso aos anos 1970. Ele seguiu ativo e criativo; inclusive, no terceiro milênio, tornou-se curador do Clube Caiubi de Compositores, formando com alguns integrantes o grupo Os Tropeçalistas (que gravaram um CD) e compondo com um dos diretores do Clube, o emérito Sonekka, uma das melhores composições de ambos: "Nunca Senti Tanto Medo De Ser Feliz", da qual aqui vai um vídeo ao vivo, cantado por Sonekka e Bárbara Rodrix, filha de Zé.
Sonekka e Bárbara Rodrix - Nunca Senti Tanto Medo De Ser Feliz
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=400497
MUNDO PEQUENO, AINDA MAIS EM FAMÍLIA
Neste primeiro semestre de 2009 completam-se trinta anos de quando conheci um grande amigo, Valdir Angeli, ex-publicitário e que há quase tantas outras décadas trabalha no sebo Baratos Afins. Quando estourou a chamada "vanguarda paulista", da qual participei em carreira-solo e como compositor do Língua de Trapo original, Valdir também deu suas canjas, aparecendo comigo em uma capa do jornalzinho O Matraca (publicado pelo Língua e ancestral do programa Rádio Matraca) e depois compusemos em parceria "Rebel Dog Blues",um de meus quase-sucessos. Lancei esta em uma de minhas quase famosas fitas cassete independentes (Brega Pega, em 1989, há vinte anos, o tempo passa mesmo) e depois a regravei em meu quase mítico LP, A Coragem de Ayrton Mugnaini Jr. Kim Kehl, que tocou comigo neste LP, foi também integrante do Nasi & Os Irmãos do Blues, e aproveitou para apresentar a canção a Nasi, que chegou a regravá-la nada memos de duas vezes, em 1994 (no CD Uma Noite Com Nasi & Os Irmãos do Blues) e 2002 (Officlal Bootleg). (Vale lembrar que o Língua de Trapo mais recente incluiu a canção em alguns chows.)
Nasi & os Irmãos do Blues - Rebel Dog Blues
http://sharebee.com/e6718ac4
Valdir Angeli tem um, como se diz em Portugal, primo co-irmão famoso: Arnaldo Angeli. Reconheceste? Sim, ele mesmo, o Angeli, emérito quadrinhista e desenhista. E uma vez, em 1986, Angeli foi convidado especial do Rádio Matraca; ouçam-no cantando "Ela Disse-Me Assim" de Lupicínio Rodrigues, com este que vos tecla ao violão. De quebra, a opinião do filho de Angeli sobre o pai cantando.
Angeli e Ayrton Mugnaini Jr. - Ela Disse-Me Assim
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RAÍZES (MESMO!) DO BRITPOP
Sou o tipo do fã pesquisador, que gosta de conhecer "os heróis de seus heróis". Neste caso específico, aqui vai uma pequena festa para quem, como eu, admira Lennon & McCartney, Ray Davies, Pete Townshend, Morrissey & Marr e outros que, por sua vez, nem precisavam demonstrar verbalmente serem fãs de seus antecessores renascentistas.
Pode reparar: não faltam elogios a "composições elizabetanas" dos Beatles, Kinks, Stones e outros - sem falar que os chamados "power-chords" (formados só pela tônica e quinta) surgiram naquela época. Bem, sem mais delongas (ou, se preferirem, "without further ado"), aqui vai um LP de 1952, Purcell-Dowland Recital, com canções de dois grandes mestres dos mestres, Henry Purcell (1659?/1695) e John Dowland (1563/1626). Quem canta é o barítono estadunidense John Langstaff (1920/2005), acompanhado por Herman Chessid ao cravo e David Soyer ao violoncelo. O repertório é:
PURCELL-DOWLAND RECITAL
PURCELL SONGS
1. Music for a while (da ópera Oedipus Rex)
2. I'll sail upon the Dog-star (letra de Thomas D'Urfey adaptada da comédia Fools' Preferment de John Fletcher)
3. The Knotting Song
4. Strike the viol
5. Evening Hymn
6. In Cassum Lesbia
DOWLAND SINGS
7. If floods of teares
8. Fine knacks for Ladies
9. Sweet stay away (poema de John Donne)
10. Say, Love, if ever thou didst find
11. Toss not my soul
12. Weep you no more, sad fountains
13, When Phoebus first did Daphne love
14, Woeful heart with grief oppressed
15, I saw my lady weep
O disco (com capa dupla! Alguém ainda pensava que a moda começou com Beatles For Sale?) saiu por um selo independente com nome dos mais adequados, Renaissance, e foi lançado na Inglaterra pela gravadora Nixa (ancestral da Pye, bem a propósito a mesma de futuros expoentes britpopianos como os Kinks, Donovan, Petula Clark, os Searchers e algumas das primeiras gravações de David Bowie). Perdoem algumas deficiências sonoras que não consegui remover - de qualquer modo, o resultado não ficou nada mau, considerando que o LP, lançado para o grande público em 1948, ainda era tecnologia das mais recentes.
John Langstaff - Purcell and Dowland Recital
http://sharebee.com/48cea5cd
UM GRUPO REALMENTE DA HORA
Após um ensaio d'A Banda de Tato Fischer (da qual me honro em ser integrante - e teremos show neste Sábado de Aleluia no Villaggio, aqui em São Paulo), ele me comentou sobre o grupo vocal argentino Buenos Aires 8, cujas gravações ele não consegue encontrar nem mesmo na Argentina, para onde vai com freqüência como mágico profissional. Pois o "Homem-Google" aqui (como diz a cantora e nossa amiga e companheira/produtora d'A Banda, Ana Paula Xavier) desenterrou um álbum deste grupo, aquele em que eles interpretam composições de Astor Piazzolla, de 1972. É o tipo do disco que foi lançado aqui e durante décadas foi encontradiço em liquidações mas hoje só quem o viu e ouviu nos anos 1970 se lembra. O disco se intitula Buenos Aires Hora 8, num trocadilho com uma das canções de Piazzolla, "Buenos Aires Hora Cero" - levando muita gente boa, pelo menos aqui no Brasil, a pensar que o grupo se chama Buenos Aires Hora 8.
As faixas são:
1 - Fuga y mistério
2 - Adiós nonino
3 - Lo que vendrá
4 - Buenos Aires Hora 0
5 - Verano porteño
6 - Decarísimo
7 - Milonga del angel
8 - La muerte del angel
9 - La resurrección del angel
10 - Calambre
E tomei este linque emprestado ao blog Los Que No Se Consiguen, visite-o você também: http://losquenoseconsiguen.blogspot.com
Buenos Aires 8 - Buenos Aires Hora 8
http://lix.in/-3579ad
...EM TODO INSTRUMENTO SE CANTA E GEME DE VERDADE
Em março a Folha de S. Paulo, aproveitando o lançamento do novo filme inspirado na composição "O Menino Da Porteira", pesquisou as composições sertanejas mais queridas, de acordo com vários artistas, profissionais de comunicação e pesquisadores musicais (este que vos tecla foi um dos consultados). A mais votada foi "Tristezas Do Jeca", e a reportagem (cuja versão online está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u535294.shtml) foi publicada em 16 de março. Pois bem, aqui vai uma pequena homenagem para sonorizar a leitura deste bom trabalho.
"Tristezas Do Jeca" (o título original é no plural mesmo) foi composta por Angelino de Oliveira em 1918 e sua primeira gravação foi feita pela Orquestra Brasil-América em 1923, só que instrumental; o primeiro registro com letra é de três anos depois, por Patrício Teixeira. (A gravação de Paraguassu, tida por muitos como a original, é de 1937 - foi "apenas" a primeira a fazer grande sucesso.)
Patrício Teixeira - Tristezas Do Jeca
http://sharebee.com/d7801620
Clássico entre os clássicos da canção caipira e popular, "Tristezas Do Jeca" tem sido regravada por artistas de várias épocas e gêneros. Um bom exemplo é do arretado Luiz Gonzaga, em 1982.
Luiz Gonzaga - Tristezas Do Jeca
http://sharebee.com/ab95459e
Gonzagão nem foi o primeiro sanfoneiro a gravar "Tristezas Do Jeca" em estilo nordestino; em 1953, quase três décadas antes, foi a vez do gaúcho Chiquinho do Acordeon (por sinal, a música sertaneja gaúcha influenciou muito a nordestina; Gonzagão foi inclusive imitador confesso de outro gaúcho, Pedro Raymundo).
Chiquinho do Acordeon - Tristezas Do Jeca
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Artistas mais sofisticados, inclusive eruditos, estão sempre atentos para inspiração vimda de toda parte, e intérpretes urbanos também captaram a beleza da melodia de "Tristezas Do Jeca". Três bons exemplos são o Zimbo Trio (em 1983), o violonista Carlos Iafelice (c. 1982) e o pianista erudito Charles Franz (1988).
Zimbo Trio - Tristezas Do Jeca
http://sharebee.com/e15aac7c
Carlos Iafelice - Tristezas Do Jeca
http://sharebee.com/1615f8e7
Charles Franz - Tristezas Do Jeca
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Há pelo menos duas versões country de "Tristezas Do Jeca". Uma é de 1976 por um grupo chamado Os Peões (de um LP intitulado Brasil Country, lançado pelo Fórmula, selo da Continental mais lembrado hoje por pop-brega-comercial cantado em inglês). A outra é de 1985, com o grupo Hillbilly, num LP produzido como brinde de fim de ano pela Cincom Systems. (Detalhe: o LP dos Peões, lançado como apenas um produto - embora muito bom - , não traz informação alguma sobre o grupo, enquanto o disco da Cincom dá todos os detalhes sobre a gravação, incluindo vários artistas.)
Os Peões - Tristezas Do Jeca
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Hillbilly - Tristezas Do Jeca
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Lembraremos também do grande violeiro mineiro Renato Andrade (aliás, ele declarou não gostar da palavra "violeiro": “Muito pejorativa. Não poderia ser violista porque existe o executante da viola de orquestra. Mas há uma outra palavra, se bem que sofisticada demais, que me caberia: violanista”), em sua gravação de 1985.
Renato Andrade - Tristezas Do Jeca
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E se "tristezas" lembram "choro", não poderia faltar uma gravação em choro - e aqui está, feita pelo trombonista Zé Festa (num LP todo no estilo, Choro No Sertão) em 1983.
Zé Festa - Tristezas Do Jeca
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Vale lembrar que a canção inspirou um filme homônimo de 1960, dirigido por Milton Amaral e estrelado por Mazzaroppi (a propósito, já que "O Menino Da Porteira" inspirou dois filmes, está mais que na hora de um segundo filme sobre "Tristezas Do Jeca"). E muitas destas informações foram reunidas em minha Enciclopédia Das Músicas Sertanejas (Letras & Letras, 2001), primeira enciclopédia sobre o assunto e que, não me avexo em dizer, ainda aguarda patrocínio e/ou editora para reedição.
ORIGINALIDADE É ISSO AÍ - ESPECIAL CARNAVAL
Na semana passada foi publicada um relação das canções carnavalescas mais executadas no século 21, de acordo com o ECAD. Alguns destes sucessos podem ser ouvidos em qualquer baile momesco, mas não em qualquer loja de discos; portanto, aqui vão eles.
A mais tocada nos bailes carnavalescos ("Mamãe, Eu Quero" de Jararaca e Vicente Paiva consta como "apenas" a terceira colocada) é "Cabeleira Do Zezé", parceria de João Roberto Kelly com Roberto Faissal, lançada por Jorge Goulart em 1963.
Jorge Goulart - Cabeleira Do Zezé
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João Roberto Kelly é o tipo do compositor antenado, que soube combinar a MPB com influências estrangeiras, fazendo música carnavalesca da melhor e ao mesmo tempo usando (no bom sentido, claro) o Carnaval para facilitar a aceitação brasileira do rock como música e comportamento. Após fazer o povo pular e cantar canções cujo tema eram os primeiros cabeludos brasileiros da era do rock, no ano seguinte Kelly ajudou sobremaneira a preparar o terreno para o estouro da jovem guarda ao falar da mulata que dança hully-gully e iê-iê-iê com "Mulata Iê-Iê-Iê", lançada por Emilinha Borba. (Notem que a mulata da marchinha caiu no rock mas era da bossa nova, ou seja, passou de um gênero estrangeiro de influência estrangeira para outro - exatamente como Roberto, Erasmo e tantos outros haviam deixado a bossa nova pelo rock).
Emilinha Borba - Mulata Iê-Iê-Iê
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E a vice-campeã é a sempre atual "Me Dá Um Dinheiro Aí", composição dos irmãos Homero, Glauco e Ivan Ferreira e lançada por Moacyr Franco em 1959. Vale lembrar que, paralelamente à carreira de emérito humorista, Moacyr havia inaugurado sua discografia cantando principalmente rock, e em 1960 seguiu o mesmo tema desta marchinha, com o "Rock Do Mendigo", dos mesmos autores e de refrão pródigo em "iê-iê-iês".
Moacyr Franco - Me Dá Um Dinheiro Aí
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